Dependência de apostas: moradores de periferias buscam apoio após perdas financeiras
9 horas atrás

A luta contra a ludopatia tem ganhado destaque entre moradores de áreas periféricas do Brasil, onde a busca por uma rápida solução financeira através de apostas online se tornou um pesadelo real. Kaio, de 42 anos, é um exemplo disso. Ele perdeu mais de R$ 200 mil em apostas, levando ao desmantelamento de seu casamento e do seu lar. "A dignidade também se foi", lamenta ele, agora vivendo em um dormitório alugado. Suas dívidas, inicialmente geradas por perdas em apostas, cresceram exponencialmente após ele sentir-se pressionado a continuar jogando para tentar recuperar o que havia perdido. Essa trajetória reflete a realidade de muitos, onde o vício em jogos se torna um ciclo difícil de quebrar.
O contexto social é um fator que agrava essa situação. Segundo a psiquiatra Kátia Branco, as pessoas mais vulneráveis financeiramente são as mais afetadas. Elas são alvo de marketing enganoso que sugere que as apostas podem melhorar suas condições de vida. "Pessoas em situação de vulnerabilidade, como aqueles que moram em comunidades periféricas e vivem com o mínimo, se tornam alvos fáceis para essas promessas", explica Branco. Essa desinformação resulta em dívidas que, muitas vezes, se tornam insuportáveis, levando a um aumento nos sintomas de depressão e ansiedade entre os afetados.
Além do suporte psicológico, os centros de apoio psicossociais (Caps), como os visitados por Kaio, têm se tornado essenciais. Com atendimento multidisciplinar, esses centros ajudam os pacientes a lidarem com a dependência em grupo, oferecendo um espaço seguro para compartilhar experiências. Kaio, por exemplo, relata que esses grupos lhe proporcionaram a união e o apoio que precisava para enfrentar seu vício.
A situação também levanta questões sobre a regulamentação das apostas no Brasil. O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) reconhece o jogo problemático como uma questão séria e enfatiza a importância de tratá-lo como uma forma de entretenimento, e não como uma solução financeira. Embora a regulamentação comece a tomar forma, o impacto na vida de indivíduos vulneráveis é alarmante e demanda uma abordagem mais robusta, envolvendo entidades e políticas públicas para prevenir e tratar a ludopatia.
Com informações de Agência Brasil.
