Gastos com segurança superam em 5 mil vezes investimento em egressos
3 semanas atrás

Um recente levantamento do centro de pesquisa Justa trouxe à tona um dado preocupante: gastos com as polícias nos estados brasileiros alcançaram R$ 103,5 bilhões em 2025, enquanto apenas R$ 19 milhões foram destinados a políticas para egressos do sistema prisional. Isso significa que para cada R$ 5.423 gastos com as forças de segurança, apenas R$ 1 foi reservado para apoiar a reinserção daqueles que cumpriram pena. A pesquisa, que não incluiu dados do Acre, destacou um quadro de investimentos que se assemelha a um funil, onde os recursos fluem em maior volume para a entrada no sistema jurídico e em menor quantidade para a saída.
Com o crescimento do orçamento das polícias, que passou de R$ 87,5 bilhões em 2024, a desigualdade na distribuição dos recursos se acentuou. Na edição anterior do estudo, para cada R$ 4.877 investidos em segurança, apenas R$ 1 eram direcionados às políticas para egressos. Taciana Santos, coordenadora de pesquisas do Justa, observa que esse aumento nos gastos não necessariamente se traduz em mais segurança para a população, apontando uma correlação com o fortalecimento de uma bancada política que se apoia em promessas de segurança.
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A pesquisa também revela que a divisão interna dos recursos entre as forças policiais é desigual. Enquanto as Polícias Militares absorveram cerca de 58,6% do total, as Polícias Civis e Técnico-Científicas receberam apenas 21,5% e 2,7%, respectivamente. Essa concentração nas operações ostensivas busca atingir a criminalidade, mas ignora a necessidade de investigações e provas, resultando em um modelo que perpetua o encarceramento em massa.
Em relação ao sistema penitenciário, os gastos totalizaram R$ 22,3 bilhões, dos quais R$ 13,7 bilhões foram direcionados ao encarceramento de pessoas negras, indicando uma alarmante desigualdade racial no trato com a criminalidade. Luciana Zaffalon, diretora-executiva do Justa, reafirma que o Brasil enfrenta uma crise de encarceramento, onde a maioria da população prisional é pobre e negra, evidenciando a troca de direitos humanos por práticas que pouco contribuem para a segurança efetiva.
Embora somente sete estados tenham destinado valores a políticas para egressos em 2025, com São Paulo liderando os investimentos com R$ 13,3 milhões, a quantia total ainda é apenas uma fração do que é gasto com segurança. Zaffalon destaca que políticas adequadas para egressos são essenciais para garantir um recomeço e combater a reincidência criminal, mas ressalta que a falta de investimentos nesse setor limita severamente as oportunidades de reintegração social.
Com informações de Agência Brasil.
