Eleitores de religiões afro se sentem à margem na corrida eleitoral de 2026
39 segundos atrás

O cenário político brasileiro de 2026 gera preocupação entre adeptos de religiões de matriz africana e afro-brasileira, que se sentem desconsiderados pelas campanhas eleitorais. Esse desinteresse político acontece em um contexto onde o número de praticantes dessas religiões triplicou entre 2010 e 2022, chegando a 1,8 milhão, segundo o censo do IBGE. A advogada e umbandista Lívia dos Santos aponta para a intolerância religiosa como uma das principais causas para o apagamento desse eleitorado nas discussões políticas.
Os especialista rebatem a ideia de que a baixa representatividade se deve ao número inferior de praticantes em comparação aos católicos e evangélicos, que representam cerca de 80% da população brasileira. Nesse contexto, a política deveria ser inclusiva e respeitosa, considerando as vozes de todos os grupos religiosos.
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A marginalização dos povos de terreiro, segundo o padre de santo e pesquisador Leonardo Vieira, é um reflexo de preconceitos que ainda persistem na sociedade. "A política é parte integral da vida comunitária nas religiões afro-brasileiras, mas muitos ainda acreditam que nós não somos capazes de nos organizar politicamente", explica Vieira. Ele enfatiza a importância das relações comunitárias que se desenvolvem dentro dos terreiros, que também promovem iniciativas de saúde e educação como formas de expressão política.
Além disso, embora grandes encontros religiosos sejam amplamente utilizados por candidatos para angariar votos, os cultos de matriz africana enfrentam dificuldades em promover mobilizações semelhantes devido à intolerância que seus praticantes enfrentam. Dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100) evidenciam essa situação crítica, com 2.774 denúncias de intolerância religiosa registradas entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
"Os nossos valores e práticas merecem reconhecimento e respeito", destaca Lívia dos Santos. O desafio agora é promover um diálogo que inclua essas religiões na esfera política, fundamental para o fortalecimento da democracia e para a luta contra a intolerância religiosa. O combate a essa discriminação religiosa se torna, assim, uma questão urgente e necessária para garantir a liberdade de todas as crenças no Brasil.
Com informações de Agência Brasil.
