Governo reduz expectativas de crescimento do PIB para 2026 e 2027

2 horas atrás

Foto: Mikhail Nilov / Pexels

O Ministério da Fazenda anunciou nesta terça-feira (22) uma revisão significativa nas suas projeções de crescimento econômico. A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 caiu de 2,3% para 2%, enquanto a estimativa para 2027 também foi reavaliada, passando de 2,5% para 2,3%. Essas diminuições foram divulgadas no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE) e refletem a continuidade dos juros elevados, que têm exercido um impacto negativo sobre a atividade econômica, especialmente nos setores de serviços e indústria.

Segundo a SPE, a revisão das estimativas é fortemente influenciada pela moderação das condições de crédito e uma demanda interna mais fraca. Isso repercute em setores-chave, como os serviços, que agora têm uma expectativa de crescimento reduzida de 2,4% para 1,8%, e na indústria, que caiu de 2,1% para 1,7%. Por outro lado, a agropecuária teve uma revisão positiva, aumentando sua projeção de crescimento de 1,8% para 2,8%, mas isso não foi suficiente para compensar a queda das outras áreas.

Outro fator a agravar o cenário econômico é a inflação, com a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026 passando de 5,1% para 4,9%. Apesar da diminuição, a expectativa continua acima do limite superior da meta de inflação estabelecida em 4,5%. A SPE atribui essa melhora, em parte, à desaceleração nos preços dos alimentos e serviços, que ainda assim permanecem pressionados pelas políticas monetárias restritivas que afetam o consumo das famílias.

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Para 2027, as previsões não são mais otimistas. A inflação foi revisada para cima, indo de 3,6% para 3,8%, em função dos possíveis impactos de um El Niño mais intenso, que poderia afetar a produção agrícola e, consequentemente, os preços dos alimentos. A Fazenda destacou que essa situação climática pode ter efeitos diretos sobre os custos dos grãos e, indiretamente, sobre os preços das carnes.

A equipe econômica também ajustou suas expectativas em relação ao ritmo de transmissão das políticas de juros. A previsão é que cortes na Selic a partir de 2026 tenham efeitos mais lentos no consumo e no crédito, o que deve beneficiar setores sensíveis ao ciclo econômico, como a indústria de transformação e a construção civil. Porém, a análise completa ainda depende da estabilidade nos mercados internacionais e da recuperação da demanda local.

Por fim, o Boletim Macrofiscal proporciona um panorama essencial para o planejamento das contas públicas e servirá como base para o próximo Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que será divulgado na quinta-feira (24). Este documento irá compilar as novas previsões e orientar o governo na formulação do Orçamento da União.

Com informações de Agência Brasil.

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