Quilombo Ferreira Diniz é o primeiro a ser tombado no Rio de Janeiro
52 segundos atrás

Em um passo histórico para a valorização da cultura e história negra no Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) decidiu tombar o Quilombo Ferreira Diniz, localizado no bairro da Glória, no centro do Rio de Janeiro. Esta é a primeira vez que um quilombo urbano recebe tal reconhecimento no estado, integrando a lista de 54 comunidades quilombolas certificadas em todo o território fluminense, conforme dados da Associação Estadual das Comunidades Quilombolas.
O tombamento foi formalizado durante uma reunião recente do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural. A decisão é um reflexo da importância social, cultural e histórica que o Quilombo Ferreira Diniz representa, desde sua formação em 1950. A superintendente do Iphan no Rio, Patrícia Corrêa, destacou que essa medida é um reconhecimento da trajetória de resistência dessa comunidade, afirmando que "o tombamento não diz respeito apenas à proteção de um território, mas à proteção de uma trajetória de resistência".
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A origem do Quilombo Ferreira Diniz remonta à história de Maria Isabel Ferreira, descendente de africanos escravizados, que com seu marido, Antônio Dias Peçanha, estabeleceu-se naquela área. Hoje, o quilombo abriga cerca de 70 pessoas, descendentes das famílias Ferreira e Diniz. Érida Ferreira, presidenta da Associação da Comunidade do Quilombo Urbano, enfatizou a relevância de preservar a cultura quilombola para assegurar um futuro com mais diversidade cultural e participação da população negra: "Preservar uma cultura quilombola é contar uma outra história do Brasil, uma história viva".
As manifestações culturais são abundantes no Quilombo Ferreira Diniz, que promove atividades como rodas de capoeira e apresentações musicais. Contudo, a feijoada preparada por Tia Cida, que acontece toda sexta-feira ao som de uma roda de samba, se destaca como um evento que une a comunidade. Para Tia Cida, a feijoada não é apenas uma refeição, mas uma parte fundamental de sua vida e história familiar: "É através da feijoada que eu criei meus filhos, netos e bisnetas. Este espaço é para se sentir feliz, conhecer e celebrar a nossa história".
Além do tombamento do Quilombo Ferreira Diniz, a reunião do Iphan também aprovou o registro do Cortejo da Cavalaria de São Gonçalo e São Benedito, além do tombamento da Capela do Cristo Operário, ambos em São Paulo. O evento também revalidou registros de tradições culturais, como a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, no Ceará, reafirmando o compromisso do Iphan em preservar a diversidade cultural do Brasil.
Com informações de Agência Brasil.
