Argentina enfrenta problemas econômicos: fechamento de empresas e aumento do desemprego

1 hora atrás

Foto: Patricia Bozan / Pexels

A administração do presidente Javier Milei na Argentina está marcada por um cenário preocupante: em apenas 31 meses, 31,3 mil empresas encerraram atividades no país, representando cerca de 6,1% do total de empresas registradas. Além disso, 245 mil postos de trabalho formais foram perdidos durante esse período, conforme revela o Monitor Mensal de Empresas do centro de pesquisa Fundar. De acordo com a análise, o fechamento de empresas sob a gestão de Milei reflete uma realidade semelhante à vista durante a pandemia de Covid-19, indicando uma crise profunda no ambiente de negócios argentino.

Os dados coletados pela Fundar, que englobam o período de novembro de 2023 até junho de 2026, mostram que 14 dos 18 setores analisados registraram diminuições consideráveis no número de empresas. Essa queda impactou negativamente 23 das 24 províncias argentinas, com a única exceção sendo Neuquém, impulsionada pela exploração de gás natural na região de Vaca Muerta. Este fenômeno destaca a fragilidade do mercado de trabalho em geral, sendo que as indústrias mais afetadas incluem setores como eletrônicos e médicos, que acumularam uma retração alarmante de 19,1% em um ano.

Com o fechamento de empresas, o impacto negativo se estendeu ao mercado de trabalho. Entre novembro de 2023 e junho de 2024, o setor privado assistiu à perda de 245,6 mil empregos, resultando em uma queda de 3,9% na força de trabalho formal. Para amenizar essa perda, houve um aumento de 169 mil trabalhadores autônomos no mesmo intervalo, refletindo um crescimento de 8,3%. No entanto, segundo o Centro de Economia Política Argentina (Cepa), essa movimentação não substitui a qualidade e a proteção dos empregos desaparecidos, gerando um ambiente de insegurança para muitos trabalhadores.

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A crise do emprego contrasta com a recente melhora na inflação, que caiu de astronômicos 289% em abril de 2024 para mais de 33,5% em agosto de 2026. Entretanto, especialistas, como o professor de economia da FGV-SP, Paulo Gala, alertam que tal estabilização é frágil e produz um efeito adverso sobre a indústria. Segundo Gala, a revalorização da moeda argentina pode ajudar a controlar a inflação, mas prejudica o setor industrial, revelando um cenário de crescimento estagnado e desemprego elevado.

A análise da situação econômica da Argentina não é apenas negativamente vista por críticos, mas até mesmo por veículos que inicialmente apoiaram a política de Milei. A revista The Economist enfatizou a necessidade de mais crescimento e menos retórica, ressaltando que os empregos seguem em declínio e os salários reais permanecem menores do que no início do governo. Milei, por sua vez, defendeu seu governo em conferências, alegando que os indicadores de exportação e consumo são positivos e justificando que o desemprego não está disparando como anunciado.

Com um panorama tão desafiador, a Argentina atravessa uma fase complexa sob a liderança de Milei, onde a luta contra a inflação e as medidas de austeridade não parecem ser suficientes para reverter a onda de fechamento de empresas e a consequente perda de empregos. A continuidade deste cenário pode levar a aprofundar o debate sobre a eficácia da atual gestão diante de uma crise econômica palpável.

Com informações de Agência Brasil.

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