Como o ataque do Hamas redefiniu alianças no Oriente Médio

6 horas atrás

Foto: Baraa Obied / Pexels

No dia 7 de outubro de 2023, um ataque do Hamas a vilas no sul de Israel desencadeou uma série de eventos que rapidamente mudaram a dinâmica geopolítica do Oriente Médio. O ataque, que resultou na morte de cerca de 1,2 mil pessoas, foi seguido por uma retaliação israelense que, segundo analistas, pode ser caracterizada como genocídio, afetando severamente a população de Gaza e levando à morte de mais de 74 mil pessoas. Esse retorno à violência não apenas ampliou as hostilidades, mas também aprofundou fissuras entre diferentes alianças na região.

O impacto do ataque do Hamas vai além do mero conflito entre Israel e Gaza; ele foi considerado um divisor de águas nas relações políticas e militares no Oriente Médio. O professor Bruno Huberman, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, destacou que o evento de 7 de outubro culminou na fragmentação da aliança pró-EUA, uma vez que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos (EAU) acabam por se dividir em suas aproximações com Israel e suas posturas em relação ao Irã. Essa divisão marcou a saída dos EAU da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) e o crescimento de novas alianças, como o Acordo de Defesa Conjunta de Meca, formado em agosto de 2026, que entrelaçou até mesmo países historicamente aliados dos EUA, como Turquia e Arábia Saudita.

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As repercussões do 7 de outubro não se limitaram ao campo militar; a questão palestina voltou a ser colocada no centro das discussões regionais, a ponto de a Arábia Saudita recuar nas negociações de normalização com Israel, afirmando que nenhuma proposta avançaria sem uma solução para a questão palestina. A professora Isabela Agostinelli, da Fecap, reforçou que as guerras que se seguiram ao ataque estão interconectadas, com Israel utilizando a situação para expandir conflitos na Cisjordânia e no Líbano. Isso ajuda a estabelecer uma nova ordem regional, favorecendo a indústria bélica israelense.

Além disso, a unidade entre os países do Golfo, antes consolidada no Conselho de Cooperação do Golfo, começou a se desintegrar, à medida que Omã se reaproximou do Irã e outros países vacilavam em suas alianças. “Estamos vendo uma nova configuração de blocos de poder, que agora inclui três grupos: aliados dos EUA como Israel e EAU, um bloco intermediário com Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, e o Eixo da Resistência, que se mostra debilitado”, explicou Huberman.

Os desdobramentos do 7 de outubro estiveram também conectados a tentativas mais amplas de reestruturação geopolítica, como o Corredor Econômico Índia-Oriente Médio-Europa, anunciado em setembro de 2023, que visa diminuir a dependência europeia em relação à energia russa e às mercadorias chinesas. Essa nova configuração se insere em um contexto onde a resposta do Hamas é vista como uma defesa contra décadas de ocupação e colonização israelense, reafirmando a complexidade e a profundidade dos conflitos na região.

Com informações de Agência Brasil.

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