Satélites em órbita ameaçam observações astronômicas, aponta estudo
6 horas atrás
Com o aumento no número de satélites em órbita, a capacidade dos astrônomos de observar o cosmos está em risco. Um estudo do Observatório Europeu do Sul (ESO) revelou que a proposta de lançamento de mais de 1,7 milhão de satélites, incluindo unidades muito brilhantes, pode prejudicar substancialmente as pesquisas astronômicas. Atualmente, existem cerca de 15 mil satélites no espaço.
Os rastros luminosos deixados pelos satélites interferem diretamente no funcionamento dos telescópios, ofuscando a visão do céu noturno. "Cada um desses satélites, ao cruzar o campo de visão de um telescópio, deixa uma linha brilhante", explica Olivier Hainaut, astrônomo do ESO e autor do estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics.
O estudo, realizado com simulações no Observatório de Paranal, no Chile, sugeriu que, enquanto um único rastro pode ser um incômodo, o acúmulo de muitos deles pode comprometer gravemente as observações. A pesquisa destacou que o impacto varia conforme o número e o brilho dos satélites. Segundo Hainaut, com 100 mil satélites, o efeito seria tolerável, mas com 300 mil, a coleta de dados poderia ser drasticamente afetada.
Os especialistas ressaltaram a importância de equilibrar o crescimento da indústria de satélites, impulsionada por serviços como o Starlink e o Leo, com as necessidades das observações científicas. "O problema é que esse tipo de pesquisa leva tempo, mas os satélites já estão sendo lançados", concluiu Hainaut.
Com informações de Agência Brasil.
