Coalizão Escudo das Américas: combate a cartéis ou estratégia contra China?

1 minuto atrás

Foto: MART PRODUCTION / Pexels

A coalizão conhecida como Escudo das Américas, que reúne os Estados Unidos e 14 nações latino-americanas, é alvo de críticas quanto à sua real intenção de atuação na região. Teóricos das relações internacionais, como o professor Danilo Enrico Martuscelli, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), afirmam que a iniciativa é uma manobra para limitar a presença econômica da China na América Latina, usando o combate aos cartéis de drogas como desculpa.

Durante a 81ª Assembleia-Geral da ONU em Nova York, os países que fazem parte da coalizão divulgaram um documento em que reafirmam sua intenção de levar a proposta do Escudo das Américas à Organização dos Estados Americanos (OEA). No texto, 24 organizações envolvidas no narcotráfico, entre elas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), foram classificadas como 'terroristas'.

A avaliação de Martuscelli é que o plano da coalizão revela uma tentativa de controle geopolítico sobre a América Latina, se assemelhando a práticas coloniais e imperiais dos Estados Unidos. O especialista critica a recente política de Donald Trump, apontando contradições, como o indulto concedido ao ex-presidente de Honduras, que tinha uma relação próxima com o narcotráfico, o que levanta dúvidas sobre a sinceridade da luta contra os cartéis promovida por Washington.

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Para o professor Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), a real intenção da coalizão é legitimar a presença militar americana na região, alegando a necessidade de combater o crime organizado, ao mesmo tempo em que se sinaliza para a China que suas relações com os países latino-americanos precisam ser reavaliadas sob a ótica da política externa dos EUA.

Embora o Brasil não tenha sido convocado para integrar o Escudo das Américas, o governo brasileiro adota uma postura cautelosa em relação à coalizão, temendo que a iniciativa possa ser utilizada para forçar alinhamentos econômicos prejudiciais à presença chinesa na América Latina. O documento divulgado por esses países também menciona a cooperação econômica e a proteção de cadeias de suprimento de minerais críticos, reforçando a ideia de que o escopo da coalizão é amplo e ligado à competição tecnológica com a China.

A contribuição para a OEA, agora considerada um passo crucial, poderá levar o governo brasileiro a decidir se apoiará ou não a resolução proposta. Essa movimentação poderá determinar não apenas a dinâmica da política externa brasileira, mas também o futuro das relações da América Latina com potências extranacionais.

Com informações de Agência Brasil.

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