Evangélicos rejeitam politização das igrejas em meio à disputa eleitoral
38 minutos atrás

A crescente polarização política no Brasil leva a refutar um uso eleitoral das instituições religiosas. "O voto deveria ser do cidadão e não da religião", afirma o pastor Lucas Oliveira, 30 anos, da Igreja Batista de Nova Iguaçu. Essa afirmação ressoa com os dados de uma pesquisa do Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest, que revelou a resistência da maioria dos evangélicos perante a influência política dentro de suas congregações. Um impressionante 83% dos entrevistados se opõem à indicação de voto feita por líderes religiosos, enquanto 90% rejeitam campanhas eleitorais nas igrejas.
Embora os evangélicos, que representam 29% da população brasileira, sejam frequentemente vistos como jogadores chave em disputas políticas, especialmente nas eleições de 2026, a pesquisa revela um descompasso entre a visibilidade da liderança e o desejo da base. A pesquisadora Lívia Reis destaca que, atualmente, a influência religiosa sobre o voto se dá mais pela formação de valores e identidades do que pela imposição de candidatos. "É mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos", explica.
🛒 Aproveite os descontos de hoje na Amazon
Link de afiliado — o SuperNews pode ganhar uma comissão sobre compras qualificadas.
Esse sentimento de resistência nasce também de experiências passadas. O pastor Lucas observa as cicatrizes que a politização trouxe para comunidades, narrando a transformação de templos em locais de discórdia. “Hoje, quando falamos sobre política nas igrejas, vemos pessoas machucadas”, diz. E o pastor Moisés Blanco, da Igreja Batista Peregrina, em Natal, aponta que essa rejeição à politização é parte da essência protestante que busca liberdade de consciência, ao contrário de segmentos que tentam impor uma agenda religiosa na esfera pública.
Os dados são esclarecedores. Com 70% dos evangélicos se autodeclarando pentecostais, a fragilidade da unidade religiosa diante da pressão política se torna evidente. A pesquisa Iser/Quaest, com 15 mil entrevistas realizadas em várias regiões do país, mostra também que as práticas religiosas se adaptam ao ambiente digital, com 66% dos entrevistados utilizando o WhatsApp para articulações e troca de ideias. A mensagem política, portanto, é difundida através de redes sociais e grupos, longe do púlpito, mas ainda assim, presente e influente.
No cenário atual, questões morais e valores religiosos ganham cada vez mais destaque. Embora evangélicos se mostrem abertos a discussões sobre educação sexual e métodos contraceptivos, algumas divisões dentro do grupo evidenciam uma pluralidade de opiniões. O fenômeno da digitalização da voz evangélica provoca uma mudança na forma como a política e a religião se entrelaçam, permitindo que os fiéis expressem suas crenças e opiniões sem obrigatoriamente recorrer a suas lideranças. Em um momento onde as identidades religiosas são frequentemente desafiadas, fica claro que a religião pode informar as escolhas eleitorais, mas há uma crescente demanda por distanciamento entre igreja e política. Esse cenário deve ser observado de perto, especialmente à medida que as próximas eleições se aproximam.
Com informações de Agência Brasil.
